18 de jun. de 2007

Criando uma sala dedicada para Música e HT - 2

Depois de ver a sala como queria, entrei e vi a reverberação existente. Mto alta, mas isso já era previsto (sala com paredes retas, já viu). Comecei então o longo projeto de acústica. Minha primeira preocupação era com a quantidade de absorvedores que necessitaria, as contas iniciais davam uma grande área. Decidi então utilizar uma combinação de absorvedores e difusores, para garantir um bom resultado.

Nas paredes laterais eu tive muito cuidado no tratamento das primeiras reflexões. Cabe aqui uma explicação adicional:
  • As reflexões laterais iniciais chegam aos nossos ouvidos com muita força, mas defasadas em relação ao som direto. Mas como o nível delas é um pouco mais baixo apenas causam uma grande distorção no som. O mesmo ocorre com o chão e com o teto.
  • Para o tratamento podemos colocar absorvedores (que reduzem o nível das mesmas) ou difusores (que eu pessoalmente gosto bastante).
  • No meu caso foi simples, uma combinação de ambos. Começo com um Dif. Schroeder, coloco absorvedores e depois policilíndrico. Na sequência mais absorvedores e Dif. Schroeder.
Os meus Dif. de Schroeder são para médias frequências, funcionando de algumas centenas de Hz até alguns kiloHertz.

Vou dar uma pausa hoje, meu ajudante de 4 anos está doente.

Até mais...

6 de jun. de 2007

Criando uma sala dedicada para Música e HT - 1

Após muitos anos em diversos apartamentos e casas, resolvi com a minha esposa comprar uma casa. E achamos uma muito boa em SP, que necessitava de reforma pesada (como eu gosto, pago mais barato e deixo como quero). No final da casa tinha uma edícula de pouco mais de 5 x 6 m, que acabei deixando como sala dedicada :) .

Começando a reforma, já comecei a fazer as alterações que queria. Primeiro tirei o estuque e coloquei uma laje de concreto de 30cm no teto, com 3 m de altura. A seguir dei uma reforçada na parede e coloquei mais uma linha de tijolos, deixando com 40cm em média. No final fiquei com uma sala de 5,95 por 4,75.

Entretanto estas dimensões não eram as mais corretas, 3x4,74x5,95, o dava uma proporção de 1:1,58:1,98. Segundo Alton Everest, no excelente livro Master Handbook of Acoustics, apesar delas estarem dentro da Bolt-Area para boas distribuições de frequencias modais (mais sobre isso depois), o 1,98 me incomodava muito, já que era praticamente o dobro de 3, e algumas frequências seriam muito reforçadas o que estragaria um pouco o som. Resolvi fazer algumas alterações:
  1. Diminui a sala para 5,95 por 4,36 e rebaixarei o teto para 2,65. Isso me dará proporções de 1:1,64:2,25, muito próximas das dimensões de Sepmeyer de 1:1,60:2,33
  2. Para diminuir a lateral da sala, ao invés de usar tijolos, usei uma estrutura de madeira para fechar tudo e suportar meus difusores e absorvedores
  3. Coloquei 2 portas, uma prá dentro e uma prá fora. Ainda não estão bem alinhadas e isoladas, vou mexer nisso no final.
Como vou ter telão, coloquei apenas uma janela fixa de pvc, vidro 10mm, de 60x60cm. Vou colocar um blackout e aí conseguirei ver também filmes durante o dia.

1 de jun. de 2007

E os absorvedores

Mais uma dica para os que se aventurarem na fabricação de seus próprios absorvedores: usem sempre manta acrílica. Agora na construção, algumas dicas que teriam me poupado de um bom trabalho:
  • Nunca faça os absorvedores com medidas muito próximas da lã-de-rocha. Estou usando algumas Rockfibras, de 1,35m por 60cm por 7,5cm de espessura. Deveria ter feito tudo com 20 cm de profundidade, e não 15 como fiz em 2 difusores. Colocando manta acrílica complicou tudo, ficou muita coisa pra fora e tive que fazer grandes ajustes
  • Para quem faz em casa, não usem lã-de-vidro, o material coça que é um inferno. Se quiserem usar, por favor, camisa de manga comprida, luvas e nada de corpo exposto. Recomendações para quem não quiser se coçar por uma semana.
  • Gostei do compensado para a fabricação. E para recobrir os difusores, um tecido bem fino e com tramas bem abertas. Uma dica, assoprem no tecido e vejam se o ar passa com muita facilidade.
  • 7,5 cm de espessura já é muito bom para um absorvedor. Mas como tinha espaço, resolvi ser mais agressivo e parti para cerca de 15 - 20 cm.

Material da Caixa

Após o início da construção das minhas caixas eu comecei a prestar atenção no material que é usado em caixas acústicas em geral, e vi que milagres não existem. Placas de MDF além de caras são pesadas. As minhas caixas da sala (que depois irão para o HT) são para minha surpresa, de aglomerado e mais finas que imaginava. Gastando US$500 nelas nos EUA qdo morava lá, agora vejo com um pouco de decepção.

Mas ficou a lição. Custos não somem por milagre, barato tem que ser mais simples. Por isso que custam fortunas as Wilson Audio e semelhantes, conseguir massa é bem caro.

PoliCilindricos

Continuo na batalha do Poli... e estou apanhando bastante.
A construção em si não é tão complexa, mas os detalhes matam. A vedação deve ser muito boa para que funcione corretamente. Só de curiosidade, eles têm 1,50 x 2,20m, e são 2.
Mais detalhes depois, e se precisarem, envio fotos.

Quanto ao Schroeder, o começo é difícil, mas pegando o jeito vai mais rápido. Fiz grandes difusores, de 60 e 85 por 2,20 m. Ficaram bonitos, e gosto da combinação do Freijó com a Goma Laca. Além de ser ecologicamente melhor que seladoras, já que a goma laca vem de um inseto, e como diluidor uso álcool Zulu Absoluto (>99%). Gosto de usar 2-3 camadas, depende da densidade da solução.

Usei 5 e 7 como os números nos cálculos, e uso Difusores de Resíduo Quadrático. Também tenho fotos se necessário.

14 de mai. de 2007

Cross-over: O que é 1ª ordem, segunda, etc.. isso importa?

Mais uma “verdade” do áudio que deve ser cuidadosamente avaliada.


Vamos começar lembrando que os alto-falantes não são perfeitos, ou seja, nenhum reproduz adequadamente de 20Hz a 20KHz. Desta forma, os fabricantes optaram por fazer alto-falantes que trabalham em determinadas faixas de frequências. Desta forma, o tamanho, massa, etc, dos alto-falantes determinam se vão trabalhar em baixas frequências (woofers, mid-woofers), médias frequências (mid-range) ou altas frequências (tweeters, super-tweeters).


Se jogarmos frequências baixas em um tweeter, por exemplo, se tivermos muita sorte apenas serão reproduzidas distorções, mas em geral vamos queimá-lo. Se jogarmos altas frequências em um woofer, sairá um som distorcido e desagradável (já que o mesmo é muito pesado para oscilar tão rapidamente quanto seria necessário para reproduzir adequadamente as altas frequências). E como fazer para resolver esses problemas? É aí que entram os cross-overs.


A finalidade de um cross-over é deixar passar apenas as frequências certas para cada alto-falante. Isso parece simples, mas na prática é complexo pq os falantes possuem “acoustic centers” (centros acústicos) em diferentes posições, além do formato da caixa, etc. Tudo isso influi.


Aí vem a pergunta. Pq tem fabricantes que ressaltam tanto cross-over de primeira ordem, outros de terceira e quarta?


Acho que é inútil esta discussão, é como discutir o sexo dos anjos. Cada caixa é um projeto específico, com defeitos e virtudes. Mas vamos lá.


1ª ordem – cross-over implantado com apenas um indutor na parte de baixas frequências, e um capacitor na parte de altas frequências (nas médias é um combinado). Teoricamente, se os alto-falantes estiverem com os acoustic centers alinhados, você tem o alinhamento de tempo mais perfeito dentre as topologias de cross-over. Isso os torna perfeitos? Não, pq temos outros fatores como fraca atenuação de baixas frequências nos tweeters (exigindo desta forma os drivers que forneçam a melhor combinação de desempenho/capacidade de trabalhar em baixas frequências), fraca atenuação das altas frequências nos woofers, etc. Mas se for um projeto bem feito, componentes de melhor qualidade poder ser usados pelo mesmo custo


2, 3, 4ª ordem – a cada ordem aumenta em 6dB/oitava a atenuação – Estes cross-overs apresentam uma atenuação mais forte a cada ordem, mas introduzem outros problemas no projeto.


Cada caso é um caso, e tem fabricante que jura de pé junto que é o melhor (1ª ordem – Sonus Faber, 4ª ordem – Revel), e pela qualidade deles dá para perceber que nenhuma vertente pode ser considerada a melhor. Mais sobre isso depois...

Refinamento auditivo

Sempre tive a dúvida.. podemos todos melhorar nossa audição ou apenas alguns privilegiados conseguem?

Eu sempre fui muito cético quanto às minhas habilidades para diferenciar detalhes. Confesso que tenho uma limitação para lembrar de detalhes, minha memória é muito mais para o macro que para o micro, acho que nesse caso sou um excelente exemplo.

Puxando pela memória eu verifico sim que conseguimos aprimorar nossa audição, é uma questão de treino. Um dos melhores exemplos posso dizer que vivenciei quando estava na instaladora de som de um amigo, instalando um CD Player na época com um amplificador Cygnus (nacional) e 4 caixas triaxiais. Apenas a instalação do amplificador resultou numa melhoria do som significativa, parecia que tinham trocado tudo. Fiquei intrigado, mas entendi o quanto o amplificador externo era melhor que o interno.

Mas mais que isso, reparei que quando comprei meu Denon, o som das minhas B&W melhorou bastante. Antes com o Yamaha (que ainda tenho) eu sentia um som que não me agradava, algo não estava no lugar.

Minha recomendação é paciência, e conhecer bem a música que você está ouvindo. Quando você ouve algo que não havia percebido antes, é instantâneo, seu cérebro acusa.. e você está no bom caminho.

Eu não vou desistir, vale a pena aprender um pouco da metodologia. E brincar também, vendo o que acontece quando você muda a polaridade dos cabos, etc. Tudo vale a pena.

E sempre digo, a parte mais divertida é o caminho....

Schroeder x PoliCilindrico - Difusores

Ainda não posso afirmar qual dos dois vai dar a melhor performance na minha sala, mas uma coisa posso dizer.

Tá bem mais difícil fazer o Poli que o Schroeder....

27 de abr. de 2007

Acústica para ambientes reais

Após vários anos sofrendo com a falta de um ambiente adequado para a reprodução musical eu estou resolvendo de vez meu problema... Saí de um apartamento, fui para uma casa e aproveitei a antiga edícula para montar minha sala. Botei 40 cm de tijolo e 30 cm de laje.. quem sabe em breve consigo publicar algumas fotos da sala final, ainda estou trabalhando de marceneiro nela nos finais de semana.


Agora, me lembro do último apartamento que morei. Era uma sala muito boa, de 8 por quase 5, divida em 2 níveis (uns 5,5 m na primeira parte, e uns 3,5 na segunda), logo coloquei um projetor com tela de 84 polegadas e uma configuração 6.1. Tinha uma parede com um quadro, e uma grande janela de vidro na parede oposta, com uma cortina com 2 camadas. Na sala coloquei uma mesa de centro de vidro e um tapete de sisal. Ambiente visualmente muito agradável, mas acusticamente desastroso.


Sei que 90% de nós temos nossos chefes em casa, que dão um foco muito maior na decoração que na acústica, mas dá para fazer algo em ambientes com essas limitações, e ainda mais, de orçamento? Eu acho que sim:

1) Evitar a qualquer custo paredes paralelas sem nada nelas (cortinas, armários, etc). Isso é a receita para um som muito deficiente, as paredes vão ampliar muito algumas frequências e reduzir muito outras. Já vi muitas dicas para amenizar isso, seguem elas:

- Colocar um quadro (de tela, não gravura) e um pouco de lã-de-rocha atrás, fazendo quase um absorvedor. A tela deve ser porosa

- Colocar armários / e ou prateleiras, principalmente com livros de tamanhos diferentes, ou mistura de CD/DVDs

- Carpete – mais atrapalha que ajuda, absorve as altas mas não as baixas frequências. A curva fica muito ruim, o som fica abafado onde não deve

- Colocar cortinas grossas, de grande área

- Teto de Gesso ajuda, ainda mais se tiver lã-de-vidro entre o teto e o gesso

- Mantenham dentro do possível uma simetria na sala (cortina de um lado e parede do outro vai complicar...)

- Se existir uma mesa de centro, como a que tinha, colocar um cobertor grosso ou almofadas de tecido ou algo semelhante sobre ela, durante a audição

2) Se possível, e se houver um quartinho de bagunça disponível, montar alguns absorvedores de dimensões razoáveis (as peças de lã-de-rocha medem 1,35 x 0,6 m). Colocar na sala na hora da audição e retirar em outras ocasiões. Há vários sites na internet, façam um google em “DIY Absorber” e “DIY Absorver”. A lista mando depois. http://www.bobgolds.com/

- Se optarem por esta abordagem, garantam pelo menos uma peça atrás de cada falante principal na frente, uma de cada lado e umas duas na parede traseira.

- 5cm de lã-de-rocha é o mínimo, 10cm fica muito melhor (não se esqueçam da manta acrílica, lã-de-vidro e lã-de-rocha soltam fibras, e a primeira coça muito mais)

- Na parede lateral, em teoria é interessante sentar na posição de audição e usar um espelho para ver na parede o ponto aonde se consegue enxergar as caixas. Tem uma edição da Clube do Áudio e Vídeo aonde o Victor Mirol mostra isso em uma foto.

- Bass Traps – ajudam e muito no controle de baixas frequências, mas são maiores e usados nos cantos. Há algumas versões cilíndricas, mas como nunca ouvi não vou dar nem palpite sobre isso. Se alguém quiser opinar eu agradeço.

Até mais.

20 de abr. de 2007

Difusores e Absorvedores.. o que são, para que servem?

Qualquer ambiente fechado vai influenciar os sons que são emitidos e escutados dentre dele, isso é parte da física que nunca alteraremos. Sempre teremos ondas estacionárias, que estarão ampliando ou enfraquecendo os sinais que jogamos no ambiente de forma diferente em diversas frequências. Ou seja, vai alterar mesmo.

Tenho visto algumas pessoas comentando que uma caixa funciona bem em uma sala e não em outras, que o som fica muito abafado ou com agudos demais, etc. Isso é normal, é impossível ter um sistema que toque bem em todas as salas.

Agora, podemos melhorar a acústica de um ambiente? Felizmente a resposta é sim. E de qualquer ambiente. Vamos falar um pouco de história.

Até o começo do Século XX, qualquer tratamento acústico era feito com base em complexas formas arquitetônicas. Isso era muito complexo de ser feito, ainda mais sem o auxílio de ferramentas de cálculos e medição, levando a resultados maravilhosos ou a resultados desastrosos. Nessa época tivemos um pesquisador, W.C. Sabine de Harvard, que começou a investigar Tempos de Reverberação e como alterá-los através de materiais dispostos nos ambientes.

Tempo de Reverberação é o tempo que leva para um sinal ter o sua intensidade reduzida em 60dB, ou 1 milhão de vezes. Exemplificando, se dermos um tiro dentro de uma sala, o Tempo de Reverberação é o tempo necessário para o sinal ficar quase inaudível, que pode ser de milissegundos a alguns segundos.

Graças aos estudos de Sabine, hoje sabemos que a colocação de materiais absorvedores em uma sala irá produzir uma redução do Tempo de Reverberação de acordo com a proporção da área absorvedora em relação à área total da sala (de acordo com cada tipo de material).

O pior exemplo que posso imaginar é ficar dentro de uma esfera de concreto, com as paredes totalmente pintadas. Acho que o inferno é por aí. Mas na nossa vida real, as salas são paralelepípedos bem pintados, e na decoração moderna, com poucos móveis. Aí colocamos um aparelho de som e nos perguntamos o que acontece com o som, que está muito ruim....

Bom, vamos dar o exemplo da minha sala. Na reforma solicitei que minha sala tivesse as paredes ampliadas para 40cm, e que não tivesse uma janela aberta (tenho apenas uma pequena de PVC com vidro de 10mm), e com porta dupla. Sem carpete no chão, coloquei taco. Ficou muito bom de visual, mas muito ruim de som. Um eco infernal e de difícil compreensão das palavras. Como eu já sabia que isso ia acontecer, já vinha preparando um projeto no qual intercalava difusão com absorção.

Absorvedor é um dispositivo feito de material geralmente fibroso (Lã de Vidro, lã de rocha, etc), de área considerável que é colocado no teto e nas paredes lateriais, e visa reduzir drasticamente o Tempo de Reverberação. Entretanto, colocar absorvedor em tudo vai acabar reduzindo demais o Tempo de Reverberação e aí vamos acabar como em cabines de locutores de rádio, com um som muito abafado.

Difusor é um dispositivo feito geralmente de madeira, MDF ou outros materiais que busca ampliar a difusão do som, ou seja, reduzir problemas modais (a ser explicado depois) não através da absorção, mas através do espalhamento do som.

TUDO EM UM AMBIENTE INFLUENCIA NO TEMPO DE REVERBERAÇÃO. O formato da sala, tamanho, tipos de materiais no teto, paredes e chão, etc..

Na próxima parte vou falar um pouco mais sobre cada um dos assuntos...

18 de mar. de 2007

Minha Sala

Vou para mais um dia de trabalho na mesma, colando painéis de madeira e furando a laje para colocar a fixação do projetor + tela de projeção.

Quem tiver dúvidas sobre absorvedores e difusores pode me enviar e-mail, respondo qdo puder, mas vem mais matéria sobre isso.

Pq as caixas top-de-linha são tão caras

Essa é uma dúvida que tinha até começar a projetar caixas. Bom, vamos por partes:

  1. Massa e material: Toda a caixa top é extremamente pesada e maciça. A explicação é simples, quando você tem um alto-falante funcionando, ele exerce uma pressão tanto dentro quanto fora da caixa. Se a caixa é feita de materiais finos e com um bracing interno deficitário, os painéis vibram com os alto-falantes, mas fora de fase, ocasionando uma perda de performance. Além disso, aumentam o nível de ruído total, mascarando as passagens mais sutis das músicas. Caixas como a Rockport Antares que são de fibra de vidro maciça (e podemos falar até em arrobas de material) deixam o ambiente com um fundo negro, reproduzindo tanto um solo de flauta quanto uma orquestra com toda a sua força. Mesmo com MDF temos uma boa despesa (minha caixa tem no mínimo 2 polegadas de MDF em cada lugar). Isso é bem caro.
  2. Design da caixa: isso é muito discutido, se é apenas uma jogada de marketing ou realmente o design ajuda a melhorar a performance. Eu sou do segundo time, busco o design de forma que melhore sensivelmente a perfomance do conjunto (outro dia falo sobre difração). Mas isso é muito complicado, temos que aliar as necessidades dos alto-falantes de graves (volume, tamanho e comprimento da porta) com os impactos da difração e o visual que queremos dar. Pesquisa e Desenvolvimento pesado, e todos sabemos quanto custa a hora de um profissional especializado.
  3. Alto-falantes: Aqui temos dois tipos de fabricantes. Fabricantes verticalizados que produzem desde seus alto-falantes (JBL, Revel, B&W) e fabricantes integradores que utilizam falantes de outros fabricantes, mas que nem por isso perdem em qualidade (Wilson Áudio, Sonus Faber, Snell Acoustics, e muitos outros). Isso é questão de escolha e o resultado final é muito dependente dos falantes utilizados. Mas a realidade é uma só. Falantes de qualidade custam muitas centenas de dólares a unidade nos EUA/Europa, e se você colocar pelo menos meia dúzia deles em um par de caixas já dá para ver o estrago
  4. Cross-over. Eu considero o cross-over o coração da caixa, já que ele pode fazer tudo funcionar bem ou tudo ser um desastre. Os falantes são itens físicos com dimensões nada desprezíveis, as distâncias entre eles influem e a difração ainda atrapalha um pouco. Depois de medições complexas chegamos às curvas de cada caixa, e passamos à modelagem do produto final. Mas se fosse tudo matemática seria simples, o resultado final deve ser testado e refinado. Só que não para aqui. Além dos custos de desenvolvimento, os componentes afetam o custo de maneira explosiva. Considerando 2 caixas com 3 falantes e cross-over de primeira ordem temos 8 componentes para cuidar (1 para graves, 2 para médios e 1 para agudos para cada uma). Mudando para segunda ordem, dobramos os componentes, para terceira triplicamos, e aí vai, se não considerarmos nenhum circuito de ajuste (que normalmente são utilizados). Usando capacitores de primeira linha (ou seja, não-eletrolíticos), indutores de excelente qualidade, vc está considerando muitas centenas de dólares em componentes, e não-raro, milhares de dólares.
  5. Acabamento: Ninguém quer uma caixa de primeira com acabamento ralé. Laqueação, folhear as caixas com madeiras, etc. O custo da mão-de-obra especializada é alto, e reflete diretamente na qualidade final do produto.
  6. Marketing, Administração: Custos com anúncios, etc.. nada barato, tanto no Brasil quanto fora
  7. Margem de Lucro do Varejo: Ninguém trabalha de graça. As margens não são gigantescas, mas como são aplicadas sobre o preço do produto aumentam o mesmo consideravelmente
Junte tudo isso, mais os salários dos funcionários das empresas, plano de saúde, previdência privada, IMPOSTOS, etc, e a conta sai alta mesmo.

30 de jan. de 2007

Sistema State-of-the-art em ambiente não tratado acusticamente

Nos últimos anos tive a oportunidade de ouvir configurações espetaculares, em ambientes bem tratados acusticamente e não tratados acusticamente, e vi uma série de pessoas investindo quantidades assombrosas de dinheiro em sistemas que não serão utilizados em salas tratadas acusticamente.

Sei que vou começar uma polêmica, mas será que isso faz sentido? Usando termos da Metodologia da CAVI (http://www.clubedoaudio.com.br/), quando migra-se de um Ouro Referência para um Diamante, estamos falando de refinamentos que muitas vezes são percebidos nos detalhes... vou começar:

Nível alto de ruído

Sala sem tratamento acústico geralmente apresenta um nível de ruído mais alto. Quando você considera que os fabricantes de topo-de-linha gastam fortunas desenvolvendo materias exóticos (Wilson Audio com materias X e M), ou em uma grande quantidade de materiais (Rockport Antares – equipamento pesadíssimo; e mesmo eu no meu projeto – caixa pesada de MDF puro com 2 polegadas no mínimo e corte via CAD/Router), a idéia é matar ressonâncias e permitir que a representação da micro-dinâmica tenha a maior riqueza possível. Se a sua sala não é silenciosa o suficiente, boa parte destes detalhes serão mascarados

Tratamento de reflexões iniciais – começa a ficar interessante

Em geral, os melhores alto-falantes apresentam uma excelente dispersão lateral através da escolha cuidadosa do formato de suas caixas, escolha de falantes, frequências e atenuação de cross-overs, etc. Se não há tratamento lateral (difusão ou absorção), existe uma grande possibilidade do som refletido chegar com grande intensidade no ouvido do ouvinte. Nesse caso é bom explicar que quando o som chega ao seu ouvido diretamente (vindo do alto-falante) e também via reflexão (batendo na parede), as ondas chegam fora de fase, ou seja, são ampliadas e/ou atenuadas... Isso é distorção pura.

Se for bem tratada acusticamente, a sala permitirá que a caixa mostre toda sua dispersão lateral, formando um amplo palco sonoro com excelente posicionamento de cada uma das fontes musicais...

Controle de Graves

Todas as salas apresentam frequências de ressonância, baseadas nas dimensões – altura, largura, profundidade. Essas frequências causam aberrações nas curvas de resposta em frequência da sala, principalmente na região do graves/médio-graves. Se a caixa for capaz de responder adequadamente nas baixas frequências, você terá esse problema sempre. É fácil identificar, basta colocar um CD com frequências (tem muitos desses, de Hz em Hz – geralmente para demonstração de sons de carro) e ir uma a uma. Sempre haverá uma que explodirá na ressonância da sala (e existem várias, como composição delas).

Na prática você vai estar ouvindo um solo de um baixo e de repente uma nota é muito mais alta que as outras, e você não entende pq o músico faz isso.

Em uma sala tratada acusticamente isso ainda acontece, mas com a correta utilização de absorvedores de graves (Bass Traps) e difusores, os efeitos podem ser controlados.

Arejamento, resposta de agudos

Alguns itens apresentam uma absorção muito mais acentuada em altas frequências que em baixas frequências – carpetes, tapetes, tecidos grossos. Em alguns casos, temos uma sala em que temos mais absorção nos agudos.. e daí nos perguntamos pq o médio está bom e o agudo meio morto, não há equilíbrio

Altos tempos de reverberação

São fontes de distorções grandes... vão ficar para um artigo posterior de tão importantes

Controle de Energia Elétrica

Quanto menos interferência, melhor. Sou da época em que as casas tinham poucos equipamentos elétricos, eletrônicos menos ainda. As instalações eram simples e a geladeira e enceradeira dividiam o circuito com a televisão e o som. Ainda me lembro dos fantasmas quando o motor da geladeira entrava ou da distorção quando minha mãe usava a enceradeira em casa.

Tem mais ainda sobre o item acima, vou voltar a ele no futuro...

Aí fica a dúvida.. vale a pena investir no equipamento antes de investir na sala? Alguém compra uma Ferrari para usar em estrada de terra?

Confesso que sou um fã ardoroso das salas acusticamente tratadas.. e há maneiras de fazer isso sem tornar o ambiente feio...

Cabos de Força, Interconexão e Caixas fazem realmente uma diferença grande?

Esse é um das discussões mais antigas que conheço, com dezenas de pessoas me jurando que é impossível ouvir a diferença. Lembro-me ainda de um primo que um dia me disse algo ainda além, que apesar dele inverter a polaridade dos cabos ele nunca notou a diferença de som entre as duas configurações.


Como o assunto é muito extenso , vai aqui a primeira parte:

Se os cabos realmente impactam o som, como nunca ouvi a diferença?

Nesse caso, a esmagadora maioria de pessoas que me fizeram esta pergunta estavam usando sistema 3 em 1, ou pior, microsystems. Aqui, ressalto que não tenho nada contra microsystems (principalmente pq usei por muito tempo um na praia – e até na casa dos meus pais - que cumpria a função de sonorizar o ambiente, e ainda tenho um), mas é um bom exemplo.

Nesses equipamentos não existe nenhuma preocupação com a qualidade final do som, eles são construídos para pessoas que querem gastar pouco para ouvir suas músicas, ou que possuem espaços muito limitados (meu pai me diz que sou muito exigente, ele gosta é de música).

Vamos definir com clareza – cabos melhores aumentam o nível de detalhes que podem ser percebidos no acontecimento musical (se alguém quiser definições corretas sobre isso, busquem o site do Clube do Áudio e Vídeo http://www.clubedoaudio.com.br ). Nenhum cabo é milagroso, ele trabalha em conjunto com o restante do sistema. Como eu parto do pressuposto de que os leitores não devem ser técnicos para entender um artigo, gosto muito de analogias. E uma analogia válida é com o automóvel. Na minha adolescência (que já foi há muito tempo), eu tinha fascinação por carros preparados (hoje Tunados), e vi que havia uma grande quantidade de acessórios para tal. Entre eles, cabos de velas, filtros de ar, etc. E que custam caro, bem caro no caso dos melhores importados. Um dia perguntei a um amigo qual a real influência de um filtro de ar de alta performance, já que tinha um simples no meu carro, e ele me explicou as vantagens do mesmo em um carro, como ele melhora a entrada de ar, etc (se algum leitor quiser expandir, sinta-se à vontade). Aí fiz a pergunta... e se colocasse no meu carro? A resposta foi – vai melhorar sim, mas você não vai perceber, pq o resto não vai responder da mesma forma... caiu a ficha...

Voltando ao áudio... se os seus equipamentos são de entrada, não adianta um cabo topo de linha, ele não vai suprir os pontos fracos do sistema. O refinamento que o cabo vai permitir não será extendido ao restante do sistema, ou seja, se ele apresenta uma excelente resposta nos agudos, e se seu sistema não tem agudos apurados, será mascarado da mesma forma. Agora, se você tiver a oportunidade de ouvir um sistema State-of-art, aí sim, a diferença é perceptível (não tenho um, mas já ouvi nos eventos do Clube do Áudio e Vídeo... nunca vou me esquecer do primeiro sistema Krell/Wilson Audio tocando SACD que ouvi).

Mas mesmo nestes sistemas, é necessário um refinamento auditivo nosso... falo disso depois...

SEMPRE LEVEM EM CONSIDERAÇÃO A CONFIGURAÇÃO TOTAL DO SISTEMA – E ESPEREM RESULTADOS COMPATÍVEIS COM O MESMO.

Eu não tenho um Sistema Topo de Linha, e portanto não espero resultados espetaculares.. Mas quem sabe um dia acerto na Mega-Sena :)

Continuo depois este assunto... nem falei de polaridade e compatibilidade de caixa/amplificador ainda....

Idéia do Blog

Nos últimos anos tenho lido regularmente uma série de revistas e livros sobre áudio, e vejo que as mesmas dúvidas acabam surgindo: o que é cross-over, pq alguns equipamentos custam tão caros, valem a pena, para que serve uma sala acusticamente tratada, etc...


Este blog é uma chance de compartilhar meus conhecimentos e dúvidas com outros amantes do áudio e vídeo. A grande diferença é que vou tentar explicar todos os conceitos de forma mais simples possível, não deixando de manter um grande rigor técnico. Outra coisa, eu sou avesso a REGRAS ... ACHO QUE NO MÁXIMO PODEMOS FAZER ALGUMAS GENERALIZAÇÕES, E SEI QUE HÁ SEMPRE EXCEÇÕES...


Somente como introdução, sou Engenheiro Eletrônico (com ênfase em Micro-eletrônica) de formação mas sempre atuei nas áreas de Consultoria em Administração e Marketing. Sempre fui autodidata e já projetei caixas acústicas para carros (sealed e Bass Reflex).


Atualmente estou fazendo o meu Home-Theater em casa, sendo que o mesmo é o meu primeiro grande projeto de tratamento acústico (tenho uma sala onde era a edícula – ou ridícula - da casa, com cerca de 28 m2) . Estou em fase de projeto dos Difusores (usando os conceitos de Schröeder em 2 layers, bem como difusores poli-cilíndricos) e de instalação de tudo – há 30 dias cortando e montando madeira, lã de vidro, tecido, etc... Além disso estou com o projeto andando de 2 caixas de topo-de-linha, uma 3 vias e uma 2 vias Bookshelf - Mais novidades em 2007...





22 de jan. de 2007

Voltando ao Blogger

Estou voltando hoje ao Blogger.. parece que o site antigo sumiu.