30 de jan. de 2007

Sistema State-of-the-art em ambiente não tratado acusticamente

Nos últimos anos tive a oportunidade de ouvir configurações espetaculares, em ambientes bem tratados acusticamente e não tratados acusticamente, e vi uma série de pessoas investindo quantidades assombrosas de dinheiro em sistemas que não serão utilizados em salas tratadas acusticamente.

Sei que vou começar uma polêmica, mas será que isso faz sentido? Usando termos da Metodologia da CAVI (http://www.clubedoaudio.com.br/), quando migra-se de um Ouro Referência para um Diamante, estamos falando de refinamentos que muitas vezes são percebidos nos detalhes... vou começar:

Nível alto de ruído

Sala sem tratamento acústico geralmente apresenta um nível de ruído mais alto. Quando você considera que os fabricantes de topo-de-linha gastam fortunas desenvolvendo materias exóticos (Wilson Audio com materias X e M), ou em uma grande quantidade de materiais (Rockport Antares – equipamento pesadíssimo; e mesmo eu no meu projeto – caixa pesada de MDF puro com 2 polegadas no mínimo e corte via CAD/Router), a idéia é matar ressonâncias e permitir que a representação da micro-dinâmica tenha a maior riqueza possível. Se a sua sala não é silenciosa o suficiente, boa parte destes detalhes serão mascarados

Tratamento de reflexões iniciais – começa a ficar interessante

Em geral, os melhores alto-falantes apresentam uma excelente dispersão lateral através da escolha cuidadosa do formato de suas caixas, escolha de falantes, frequências e atenuação de cross-overs, etc. Se não há tratamento lateral (difusão ou absorção), existe uma grande possibilidade do som refletido chegar com grande intensidade no ouvido do ouvinte. Nesse caso é bom explicar que quando o som chega ao seu ouvido diretamente (vindo do alto-falante) e também via reflexão (batendo na parede), as ondas chegam fora de fase, ou seja, são ampliadas e/ou atenuadas... Isso é distorção pura.

Se for bem tratada acusticamente, a sala permitirá que a caixa mostre toda sua dispersão lateral, formando um amplo palco sonoro com excelente posicionamento de cada uma das fontes musicais...

Controle de Graves

Todas as salas apresentam frequências de ressonância, baseadas nas dimensões – altura, largura, profundidade. Essas frequências causam aberrações nas curvas de resposta em frequência da sala, principalmente na região do graves/médio-graves. Se a caixa for capaz de responder adequadamente nas baixas frequências, você terá esse problema sempre. É fácil identificar, basta colocar um CD com frequências (tem muitos desses, de Hz em Hz – geralmente para demonstração de sons de carro) e ir uma a uma. Sempre haverá uma que explodirá na ressonância da sala (e existem várias, como composição delas).

Na prática você vai estar ouvindo um solo de um baixo e de repente uma nota é muito mais alta que as outras, e você não entende pq o músico faz isso.

Em uma sala tratada acusticamente isso ainda acontece, mas com a correta utilização de absorvedores de graves (Bass Traps) e difusores, os efeitos podem ser controlados.

Arejamento, resposta de agudos

Alguns itens apresentam uma absorção muito mais acentuada em altas frequências que em baixas frequências – carpetes, tapetes, tecidos grossos. Em alguns casos, temos uma sala em que temos mais absorção nos agudos.. e daí nos perguntamos pq o médio está bom e o agudo meio morto, não há equilíbrio

Altos tempos de reverberação

São fontes de distorções grandes... vão ficar para um artigo posterior de tão importantes

Controle de Energia Elétrica

Quanto menos interferência, melhor. Sou da época em que as casas tinham poucos equipamentos elétricos, eletrônicos menos ainda. As instalações eram simples e a geladeira e enceradeira dividiam o circuito com a televisão e o som. Ainda me lembro dos fantasmas quando o motor da geladeira entrava ou da distorção quando minha mãe usava a enceradeira em casa.

Tem mais ainda sobre o item acima, vou voltar a ele no futuro...

Aí fica a dúvida.. vale a pena investir no equipamento antes de investir na sala? Alguém compra uma Ferrari para usar em estrada de terra?

Confesso que sou um fã ardoroso das salas acusticamente tratadas.. e há maneiras de fazer isso sem tornar o ambiente feio...

Cabos de Força, Interconexão e Caixas fazem realmente uma diferença grande?

Esse é um das discussões mais antigas que conheço, com dezenas de pessoas me jurando que é impossível ouvir a diferença. Lembro-me ainda de um primo que um dia me disse algo ainda além, que apesar dele inverter a polaridade dos cabos ele nunca notou a diferença de som entre as duas configurações.


Como o assunto é muito extenso , vai aqui a primeira parte:

Se os cabos realmente impactam o som, como nunca ouvi a diferença?

Nesse caso, a esmagadora maioria de pessoas que me fizeram esta pergunta estavam usando sistema 3 em 1, ou pior, microsystems. Aqui, ressalto que não tenho nada contra microsystems (principalmente pq usei por muito tempo um na praia – e até na casa dos meus pais - que cumpria a função de sonorizar o ambiente, e ainda tenho um), mas é um bom exemplo.

Nesses equipamentos não existe nenhuma preocupação com a qualidade final do som, eles são construídos para pessoas que querem gastar pouco para ouvir suas músicas, ou que possuem espaços muito limitados (meu pai me diz que sou muito exigente, ele gosta é de música).

Vamos definir com clareza – cabos melhores aumentam o nível de detalhes que podem ser percebidos no acontecimento musical (se alguém quiser definições corretas sobre isso, busquem o site do Clube do Áudio e Vídeo http://www.clubedoaudio.com.br ). Nenhum cabo é milagroso, ele trabalha em conjunto com o restante do sistema. Como eu parto do pressuposto de que os leitores não devem ser técnicos para entender um artigo, gosto muito de analogias. E uma analogia válida é com o automóvel. Na minha adolescência (que já foi há muito tempo), eu tinha fascinação por carros preparados (hoje Tunados), e vi que havia uma grande quantidade de acessórios para tal. Entre eles, cabos de velas, filtros de ar, etc. E que custam caro, bem caro no caso dos melhores importados. Um dia perguntei a um amigo qual a real influência de um filtro de ar de alta performance, já que tinha um simples no meu carro, e ele me explicou as vantagens do mesmo em um carro, como ele melhora a entrada de ar, etc (se algum leitor quiser expandir, sinta-se à vontade). Aí fiz a pergunta... e se colocasse no meu carro? A resposta foi – vai melhorar sim, mas você não vai perceber, pq o resto não vai responder da mesma forma... caiu a ficha...

Voltando ao áudio... se os seus equipamentos são de entrada, não adianta um cabo topo de linha, ele não vai suprir os pontos fracos do sistema. O refinamento que o cabo vai permitir não será extendido ao restante do sistema, ou seja, se ele apresenta uma excelente resposta nos agudos, e se seu sistema não tem agudos apurados, será mascarado da mesma forma. Agora, se você tiver a oportunidade de ouvir um sistema State-of-art, aí sim, a diferença é perceptível (não tenho um, mas já ouvi nos eventos do Clube do Áudio e Vídeo... nunca vou me esquecer do primeiro sistema Krell/Wilson Audio tocando SACD que ouvi).

Mas mesmo nestes sistemas, é necessário um refinamento auditivo nosso... falo disso depois...

SEMPRE LEVEM EM CONSIDERAÇÃO A CONFIGURAÇÃO TOTAL DO SISTEMA – E ESPEREM RESULTADOS COMPATÍVEIS COM O MESMO.

Eu não tenho um Sistema Topo de Linha, e portanto não espero resultados espetaculares.. Mas quem sabe um dia acerto na Mega-Sena :)

Continuo depois este assunto... nem falei de polaridade e compatibilidade de caixa/amplificador ainda....

Idéia do Blog

Nos últimos anos tenho lido regularmente uma série de revistas e livros sobre áudio, e vejo que as mesmas dúvidas acabam surgindo: o que é cross-over, pq alguns equipamentos custam tão caros, valem a pena, para que serve uma sala acusticamente tratada, etc...


Este blog é uma chance de compartilhar meus conhecimentos e dúvidas com outros amantes do áudio e vídeo. A grande diferença é que vou tentar explicar todos os conceitos de forma mais simples possível, não deixando de manter um grande rigor técnico. Outra coisa, eu sou avesso a REGRAS ... ACHO QUE NO MÁXIMO PODEMOS FAZER ALGUMAS GENERALIZAÇÕES, E SEI QUE HÁ SEMPRE EXCEÇÕES...


Somente como introdução, sou Engenheiro Eletrônico (com ênfase em Micro-eletrônica) de formação mas sempre atuei nas áreas de Consultoria em Administração e Marketing. Sempre fui autodidata e já projetei caixas acústicas para carros (sealed e Bass Reflex).


Atualmente estou fazendo o meu Home-Theater em casa, sendo que o mesmo é o meu primeiro grande projeto de tratamento acústico (tenho uma sala onde era a edícula – ou ridícula - da casa, com cerca de 28 m2) . Estou em fase de projeto dos Difusores (usando os conceitos de Schröeder em 2 layers, bem como difusores poli-cilíndricos) e de instalação de tudo – há 30 dias cortando e montando madeira, lã de vidro, tecido, etc... Além disso estou com o projeto andando de 2 caixas de topo-de-linha, uma 3 vias e uma 2 vias Bookshelf - Mais novidades em 2007...





22 de jan. de 2007

Voltando ao Blogger

Estou voltando hoje ao Blogger.. parece que o site antigo sumiu.