18 de jun. de 2007

Criando uma sala dedicada para Música e HT - 2

Depois de ver a sala como queria, entrei e vi a reverberação existente. Mto alta, mas isso já era previsto (sala com paredes retas, já viu). Comecei então o longo projeto de acústica. Minha primeira preocupação era com a quantidade de absorvedores que necessitaria, as contas iniciais davam uma grande área. Decidi então utilizar uma combinação de absorvedores e difusores, para garantir um bom resultado.

Nas paredes laterais eu tive muito cuidado no tratamento das primeiras reflexões. Cabe aqui uma explicação adicional:
  • As reflexões laterais iniciais chegam aos nossos ouvidos com muita força, mas defasadas em relação ao som direto. Mas como o nível delas é um pouco mais baixo apenas causam uma grande distorção no som. O mesmo ocorre com o chão e com o teto.
  • Para o tratamento podemos colocar absorvedores (que reduzem o nível das mesmas) ou difusores (que eu pessoalmente gosto bastante).
  • No meu caso foi simples, uma combinação de ambos. Começo com um Dif. Schroeder, coloco absorvedores e depois policilíndrico. Na sequência mais absorvedores e Dif. Schroeder.
Os meus Dif. de Schroeder são para médias frequências, funcionando de algumas centenas de Hz até alguns kiloHertz.

Vou dar uma pausa hoje, meu ajudante de 4 anos está doente.

Até mais...

6 de jun. de 2007

Criando uma sala dedicada para Música e HT - 1

Após muitos anos em diversos apartamentos e casas, resolvi com a minha esposa comprar uma casa. E achamos uma muito boa em SP, que necessitava de reforma pesada (como eu gosto, pago mais barato e deixo como quero). No final da casa tinha uma edícula de pouco mais de 5 x 6 m, que acabei deixando como sala dedicada :) .

Começando a reforma, já comecei a fazer as alterações que queria. Primeiro tirei o estuque e coloquei uma laje de concreto de 30cm no teto, com 3 m de altura. A seguir dei uma reforçada na parede e coloquei mais uma linha de tijolos, deixando com 40cm em média. No final fiquei com uma sala de 5,95 por 4,75.

Entretanto estas dimensões não eram as mais corretas, 3x4,74x5,95, o dava uma proporção de 1:1,58:1,98. Segundo Alton Everest, no excelente livro Master Handbook of Acoustics, apesar delas estarem dentro da Bolt-Area para boas distribuições de frequencias modais (mais sobre isso depois), o 1,98 me incomodava muito, já que era praticamente o dobro de 3, e algumas frequências seriam muito reforçadas o que estragaria um pouco o som. Resolvi fazer algumas alterações:
  1. Diminui a sala para 5,95 por 4,36 e rebaixarei o teto para 2,65. Isso me dará proporções de 1:1,64:2,25, muito próximas das dimensões de Sepmeyer de 1:1,60:2,33
  2. Para diminuir a lateral da sala, ao invés de usar tijolos, usei uma estrutura de madeira para fechar tudo e suportar meus difusores e absorvedores
  3. Coloquei 2 portas, uma prá dentro e uma prá fora. Ainda não estão bem alinhadas e isoladas, vou mexer nisso no final.
Como vou ter telão, coloquei apenas uma janela fixa de pvc, vidro 10mm, de 60x60cm. Vou colocar um blackout e aí conseguirei ver também filmes durante o dia.

1 de jun. de 2007

E os absorvedores

Mais uma dica para os que se aventurarem na fabricação de seus próprios absorvedores: usem sempre manta acrílica. Agora na construção, algumas dicas que teriam me poupado de um bom trabalho:
  • Nunca faça os absorvedores com medidas muito próximas da lã-de-rocha. Estou usando algumas Rockfibras, de 1,35m por 60cm por 7,5cm de espessura. Deveria ter feito tudo com 20 cm de profundidade, e não 15 como fiz em 2 difusores. Colocando manta acrílica complicou tudo, ficou muita coisa pra fora e tive que fazer grandes ajustes
  • Para quem faz em casa, não usem lã-de-vidro, o material coça que é um inferno. Se quiserem usar, por favor, camisa de manga comprida, luvas e nada de corpo exposto. Recomendações para quem não quiser se coçar por uma semana.
  • Gostei do compensado para a fabricação. E para recobrir os difusores, um tecido bem fino e com tramas bem abertas. Uma dica, assoprem no tecido e vejam se o ar passa com muita facilidade.
  • 7,5 cm de espessura já é muito bom para um absorvedor. Mas como tinha espaço, resolvi ser mais agressivo e parti para cerca de 15 - 20 cm.

Material da Caixa

Após o início da construção das minhas caixas eu comecei a prestar atenção no material que é usado em caixas acústicas em geral, e vi que milagres não existem. Placas de MDF além de caras são pesadas. As minhas caixas da sala (que depois irão para o HT) são para minha surpresa, de aglomerado e mais finas que imaginava. Gastando US$500 nelas nos EUA qdo morava lá, agora vejo com um pouco de decepção.

Mas ficou a lição. Custos não somem por milagre, barato tem que ser mais simples. Por isso que custam fortunas as Wilson Audio e semelhantes, conseguir massa é bem caro.

PoliCilindricos

Continuo na batalha do Poli... e estou apanhando bastante.
A construção em si não é tão complexa, mas os detalhes matam. A vedação deve ser muito boa para que funcione corretamente. Só de curiosidade, eles têm 1,50 x 2,20m, e são 2.
Mais detalhes depois, e se precisarem, envio fotos.

Quanto ao Schroeder, o começo é difícil, mas pegando o jeito vai mais rápido. Fiz grandes difusores, de 60 e 85 por 2,20 m. Ficaram bonitos, e gosto da combinação do Freijó com a Goma Laca. Além de ser ecologicamente melhor que seladoras, já que a goma laca vem de um inseto, e como diluidor uso álcool Zulu Absoluto (>99%). Gosto de usar 2-3 camadas, depende da densidade da solução.

Usei 5 e 7 como os números nos cálculos, e uso Difusores de Resíduo Quadrático. Também tenho fotos se necessário.

14 de mai. de 2007

Cross-over: O que é 1ª ordem, segunda, etc.. isso importa?

Mais uma “verdade” do áudio que deve ser cuidadosamente avaliada.


Vamos começar lembrando que os alto-falantes não são perfeitos, ou seja, nenhum reproduz adequadamente de 20Hz a 20KHz. Desta forma, os fabricantes optaram por fazer alto-falantes que trabalham em determinadas faixas de frequências. Desta forma, o tamanho, massa, etc, dos alto-falantes determinam se vão trabalhar em baixas frequências (woofers, mid-woofers), médias frequências (mid-range) ou altas frequências (tweeters, super-tweeters).


Se jogarmos frequências baixas em um tweeter, por exemplo, se tivermos muita sorte apenas serão reproduzidas distorções, mas em geral vamos queimá-lo. Se jogarmos altas frequências em um woofer, sairá um som distorcido e desagradável (já que o mesmo é muito pesado para oscilar tão rapidamente quanto seria necessário para reproduzir adequadamente as altas frequências). E como fazer para resolver esses problemas? É aí que entram os cross-overs.


A finalidade de um cross-over é deixar passar apenas as frequências certas para cada alto-falante. Isso parece simples, mas na prática é complexo pq os falantes possuem “acoustic centers” (centros acústicos) em diferentes posições, além do formato da caixa, etc. Tudo isso influi.


Aí vem a pergunta. Pq tem fabricantes que ressaltam tanto cross-over de primeira ordem, outros de terceira e quarta?


Acho que é inútil esta discussão, é como discutir o sexo dos anjos. Cada caixa é um projeto específico, com defeitos e virtudes. Mas vamos lá.


1ª ordem – cross-over implantado com apenas um indutor na parte de baixas frequências, e um capacitor na parte de altas frequências (nas médias é um combinado). Teoricamente, se os alto-falantes estiverem com os acoustic centers alinhados, você tem o alinhamento de tempo mais perfeito dentre as topologias de cross-over. Isso os torna perfeitos? Não, pq temos outros fatores como fraca atenuação de baixas frequências nos tweeters (exigindo desta forma os drivers que forneçam a melhor combinação de desempenho/capacidade de trabalhar em baixas frequências), fraca atenuação das altas frequências nos woofers, etc. Mas se for um projeto bem feito, componentes de melhor qualidade poder ser usados pelo mesmo custo


2, 3, 4ª ordem – a cada ordem aumenta em 6dB/oitava a atenuação – Estes cross-overs apresentam uma atenuação mais forte a cada ordem, mas introduzem outros problemas no projeto.


Cada caso é um caso, e tem fabricante que jura de pé junto que é o melhor (1ª ordem – Sonus Faber, 4ª ordem – Revel), e pela qualidade deles dá para perceber que nenhuma vertente pode ser considerada a melhor. Mais sobre isso depois...

Refinamento auditivo

Sempre tive a dúvida.. podemos todos melhorar nossa audição ou apenas alguns privilegiados conseguem?

Eu sempre fui muito cético quanto às minhas habilidades para diferenciar detalhes. Confesso que tenho uma limitação para lembrar de detalhes, minha memória é muito mais para o macro que para o micro, acho que nesse caso sou um excelente exemplo.

Puxando pela memória eu verifico sim que conseguimos aprimorar nossa audição, é uma questão de treino. Um dos melhores exemplos posso dizer que vivenciei quando estava na instaladora de som de um amigo, instalando um CD Player na época com um amplificador Cygnus (nacional) e 4 caixas triaxiais. Apenas a instalação do amplificador resultou numa melhoria do som significativa, parecia que tinham trocado tudo. Fiquei intrigado, mas entendi o quanto o amplificador externo era melhor que o interno.

Mas mais que isso, reparei que quando comprei meu Denon, o som das minhas B&W melhorou bastante. Antes com o Yamaha (que ainda tenho) eu sentia um som que não me agradava, algo não estava no lugar.

Minha recomendação é paciência, e conhecer bem a música que você está ouvindo. Quando você ouve algo que não havia percebido antes, é instantâneo, seu cérebro acusa.. e você está no bom caminho.

Eu não vou desistir, vale a pena aprender um pouco da metodologia. E brincar também, vendo o que acontece quando você muda a polaridade dos cabos, etc. Tudo vale a pena.

E sempre digo, a parte mais divertida é o caminho....