18 de mar. de 2007

Pq as caixas top-de-linha são tão caras

Essa é uma dúvida que tinha até começar a projetar caixas. Bom, vamos por partes:

  1. Massa e material: Toda a caixa top é extremamente pesada e maciça. A explicação é simples, quando você tem um alto-falante funcionando, ele exerce uma pressão tanto dentro quanto fora da caixa. Se a caixa é feita de materiais finos e com um bracing interno deficitário, os painéis vibram com os alto-falantes, mas fora de fase, ocasionando uma perda de performance. Além disso, aumentam o nível de ruído total, mascarando as passagens mais sutis das músicas. Caixas como a Rockport Antares que são de fibra de vidro maciça (e podemos falar até em arrobas de material) deixam o ambiente com um fundo negro, reproduzindo tanto um solo de flauta quanto uma orquestra com toda a sua força. Mesmo com MDF temos uma boa despesa (minha caixa tem no mínimo 2 polegadas de MDF em cada lugar). Isso é bem caro.
  2. Design da caixa: isso é muito discutido, se é apenas uma jogada de marketing ou realmente o design ajuda a melhorar a performance. Eu sou do segundo time, busco o design de forma que melhore sensivelmente a perfomance do conjunto (outro dia falo sobre difração). Mas isso é muito complicado, temos que aliar as necessidades dos alto-falantes de graves (volume, tamanho e comprimento da porta) com os impactos da difração e o visual que queremos dar. Pesquisa e Desenvolvimento pesado, e todos sabemos quanto custa a hora de um profissional especializado.
  3. Alto-falantes: Aqui temos dois tipos de fabricantes. Fabricantes verticalizados que produzem desde seus alto-falantes (JBL, Revel, B&W) e fabricantes integradores que utilizam falantes de outros fabricantes, mas que nem por isso perdem em qualidade (Wilson Áudio, Sonus Faber, Snell Acoustics, e muitos outros). Isso é questão de escolha e o resultado final é muito dependente dos falantes utilizados. Mas a realidade é uma só. Falantes de qualidade custam muitas centenas de dólares a unidade nos EUA/Europa, e se você colocar pelo menos meia dúzia deles em um par de caixas já dá para ver o estrago
  4. Cross-over. Eu considero o cross-over o coração da caixa, já que ele pode fazer tudo funcionar bem ou tudo ser um desastre. Os falantes são itens físicos com dimensões nada desprezíveis, as distâncias entre eles influem e a difração ainda atrapalha um pouco. Depois de medições complexas chegamos às curvas de cada caixa, e passamos à modelagem do produto final. Mas se fosse tudo matemática seria simples, o resultado final deve ser testado e refinado. Só que não para aqui. Além dos custos de desenvolvimento, os componentes afetam o custo de maneira explosiva. Considerando 2 caixas com 3 falantes e cross-over de primeira ordem temos 8 componentes para cuidar (1 para graves, 2 para médios e 1 para agudos para cada uma). Mudando para segunda ordem, dobramos os componentes, para terceira triplicamos, e aí vai, se não considerarmos nenhum circuito de ajuste (que normalmente são utilizados). Usando capacitores de primeira linha (ou seja, não-eletrolíticos), indutores de excelente qualidade, vc está considerando muitas centenas de dólares em componentes, e não-raro, milhares de dólares.
  5. Acabamento: Ninguém quer uma caixa de primeira com acabamento ralé. Laqueação, folhear as caixas com madeiras, etc. O custo da mão-de-obra especializada é alto, e reflete diretamente na qualidade final do produto.
  6. Marketing, Administração: Custos com anúncios, etc.. nada barato, tanto no Brasil quanto fora
  7. Margem de Lucro do Varejo: Ninguém trabalha de graça. As margens não são gigantescas, mas como são aplicadas sobre o preço do produto aumentam o mesmo consideravelmente
Junte tudo isso, mais os salários dos funcionários das empresas, plano de saúde, previdência privada, IMPOSTOS, etc, e a conta sai alta mesmo.

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